• InDança

    Para a dançarina que se foi

    Agradeça seus professores de dança. Eles fizeram muito mais por você do que apenas te ensinar passos e coreografias.

    Em algum lugar da sua casa estão 15 anos de antigos figurinos, apenas guardados. Em algum lugar na sua antiga escola, há algo que você deixou para trás e que você nunca vai voltar para buscar. Em algum lugar, há uma pequena menina que te viu em um palco, olhou para a melhor amiga e disse “eu quero ser como ela”.

    Parar de dançar não muda nada disso e não apaga as incontáveis horas de esforço que você colocou nas aulas. O fato é que você será uma dançarina pelo resto da sua vida. Isso não para no segundo em que você fecha sua bolsa de dança pela última vez e não acaba nem quando seu carro finalmente para de cheirar a sapatilhas velhas.

    Ser dançarina é algo que não vai acabar porque as lições que você aprendeu na escola se alongam para toda a vida. Você aprendeu a receber elogios, mas sabia que sempre podia fazer melhor. Você aprendeu a receber críticas construtivas e como se recuperar de uma perda. Você aprendeu que está tudo bem em usar todo o espaço que precisa e a não se desculpar por dar o seu máximo. Você foi ensinada como sempre olhar para cima e manter o queixo levantado, mesmo que seu coração esteja pra baixo. Essas coisas não podem ser tiradas de você.

    Não foi fácil crescer em uma sala que apontava cada um de seus defeitos. Não foi fácil continuar se esforçando quando parecia que você não melhorava. Mas mais do que isso, não foi fácil ir embora. A dança te ensinou que existe beleza mesmo nas coisas mais feias. Te provou que ações falam mais alto do que palavras. É aquela constante que ninguém pode tirar de você – e é também aquilo que ninguém te contou o quanto você sentiria saudades.

    Ir embora não foi fácil, mas foi uma escolha. Todos aqueles anos, todas aquelas horas, todas as lições não te prepararam para esse momento, te prepararam para o resto da sua vida. Enquanto as mensalidades e provas de figurino acabaram, o espírito de tudo isso nunca morre. Você vai carregar todos esses anos com você, todos os dias pelo resto de sua vida, e é isso o que realmente importa.

    Texto livremente traduzido porque eu não aguentei não compartilhar algo que me tocou tanto. O original está aqui: To The Dancer That Walked Away

    0
  • InDança de Salão, Valsa

    Valsa: a dança do amor

    Valsa

    A valsa está por todos os lados. É difícil pensar que alguém nunca dançou uma valsa (ou dançou ao som de uma valsa). Seja em festas de debutantes, formaturas ou casamentos, ela sempre aparece como trilha sonora. A dança do “um, dois, três” e vestidos esvoaçantes surgiu na Áustria e Alemanha. Nos salões de Vienna, conquistou o coração das pessoas, pois permitia que casais dançassem mais próximos do que estavam acostumados na época. A valsa que conhecemos hoje, inclusive, é resultado da popularização do ritmo na cidade.

    A palavra “valsa” deriva da palavra alemã “waltzen”, que significa “dar voltas”. Para executar a dança, são três os passos principais: giro natural, feito para a direita, giro reverso, feito para a esquerda, e troca do passo, que acontece em meio aos giros. Os passos acontecem seguindo o compasso ternário da música, ou o “1, 2, 3” da contagem.

    Quanto à música, a família Strauss possui algumas das valsas mais conhecidas e foi também responsável, em Vienna, pelo desenvolvimento do ritmo. Dentre suas composições estão o Danúbio Azul e a Valsa do Imperador. Outras valsas conhecidas são A Valsa das Flores, de Tchaikovsky e A Valsa dos Patinadores, de Émile Waldteufel. No início do século 19, o ritmo sofreu algumas modificações. As melodias criadas a partir desta época, são mais lentas do que as criadas e popularizadas em Vienna, o que permitiu aos dançarinos mais tempo para aproveitar a dança como socialização e também uma variação nos passos, já que essa mudança facilitou acompanhar a música.

    No Brasil

    Quando a corte portuguesa chegou ao Brasil em 1808, trouxe consigo a valsa e encantou os salões do Rio de Janeiro, onde a elite dançava. Pelo mesmo motivo da popularização em Vienna, a aproximação que a valsa permitia aos casais foi fator essencial para que a dança fosse aceita no país.

    Inspiração

    Depois de aceita e popularizada nos bailes, a prática da valsa inspirou o desenvolvimento de outras danças de salão. Não é a toa que bons dançarinos são chamados “pé-de-valsa”. A posição dos casais para a dança, por exemplo, é uma das características que seguiu em frente com outros ritmos. Nos bailes, a valsa logo passou a dividir espaço com a polca.

    0
  • InBallet Clássico, Listas

    10 coisas que aprendemos com o ballet fora da sala de aula

    Muito além de pliés e tendus, ter aulas de ballet clássico durante anos se provou muito útil para além da sala de aula. Alguns desses aprendizados podem ser bastante óbvios, como manter a postura certa, já outros são mais subjetivos. Separei aqui 10 itens que provam se dedicar a alguma dança vai bem além das horas de aulas, ensaios e apresentações.

    1. Noção espacial

    Tudo bem, a maior parte dos adultos sabe onde começa e termina o seu corpo e consegue visualizar por onde passar sem bater em nada ou ninguém. Mas quem faz dança ganha um 6˚ sentido de noção espacial, especialmente quando é criança e adolescente e ainda não parou de crescer. Você sabe qual espaço precisa para poder abrir os braços em segunda posição ou ainda qual distância tomar para não chutar ninguém na hora de fazer grand battements.

    2. Maquiagem

    Especialmente para meninas, você já sabia dominar a arte das sombras, rímel e delineadores antes das suas amigas terem essas coisas em casa. Nem sempre é para o melhor, já que a maquiagem pra palco precisa ser bem forte e, às vezes, você exagera no tom, esquecendo que não está com os holofotes te seguindo por ai.

    3. Cabelo

    Não, ninguém faz curso de cabeleireira durante o curso de dança e tem dias que o coque não fica lá aquelas coisas, mas você sabe como ninguém fazer um penteado que não vai cair, não importa quantos giros ou saltos você faça. E sim, anos e anos de prática ajudam a criar uma afinidade forçada com penteados.

    4. Amizades

    De dentro para fora da sala de aula. Amigas bailarinas vão te dar dicas para costurar a fita da sapatilha e dividir com você as angústias dentro e fora do palco. São elas que te entendem com o olhar e sabem improvisar quando você precisa daquela ajuda.

    5. Pontualidade

    Se não chegar na hora, perde o aquecimento e pode até perder a aula toda. Motivação suficiente para estar sempre no horário, quando não adiantada, para todas as coisas da sua vida.

    6. Ritmo

    Quando vê, está contanto até 8. Acha o tempo da música com facilidade e consegue emplacar passos no ritmo em velocidade impressionante. É sempre você criando as dancinhas nas festas de família, não?

    7. Disciplina

    Disciplina é quase um sinônimo para ballet. Dentro ou fora de sala. Comer no horário, não pular a aula de alongamento e a seguir a rotina, afinal, se ficar muito por fora, aja força pra aguentar dor muscular.

    8. Não cair (ou cair com estilo)

    Assim como a noção espacial, anos girando “no eixo” dão aos bailarinos um extra na coordenação motora. Você recupera o equilíbrio com mais facilidade e, apesar de quase cair, consegue se recuperar antes de dar de cara com o chão. Se esse não for o caso, os anos de quedas também ajudam a cair com estilo, e diminuir a possibilidade de machucados muito fortes.

    9. O poder de um sapato certo

    Só uma bailarina que já colocou uma sapatilha errada e tentou subir na ponta pode contar como um sapato certo e confortável faz maravilhas para a segurança e autoestima. Quando os pés estão bem, o resto é consequência.

    10. The Show Must Go On (ou como manter o show vivo)

    Os anos ouvindo a professora dizer que não se mostra o figurino antes da apresentação ou aprendendo a contornar obstáculos para estar tudo certo no dia do espetáculo ensinam qualquer bailarina que a vida é cheia de desvios, mas que vale muito mais aprender a dançar com o ritmo e ver o lado positivo, inclusive no improviso.

    0